quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

ODEIO CARNAVAL.......



Odeio Carnaval com todas as minhas forças. Época em que o Brasil fica entorpecido com algo que não vejo a mínima graça e todo mundo acha que é justificativa para fazer qualquer coisa. Por exemplo, Carnaval é justificativa para muita gente ouvir e dançar o pior da música brasileira, achar que “faz parte” e que, sem essa “trolha sonora”, não tem a mesma graça. Achar que pode mijar nas ruas, perder a noção, “promiscuosidade” La em cima!! Em fim...
Mas tem coisa pior. O brasileiro é socialmente obrigado a gostar de Carnaval. Por aqui, você diz que não gosta de Carnaval e todo mundo olha para você de forma estranha. Dois pensamentos são básicos: “pô, você não é brasileiro, não? Não ama o país em que nasceu?” ou “como você é chato e não sabe se divertir! Deve ser daqueles caras que veste um roupão, pega um cachimbo, se enfia na biblioteca da casa e se diverte ouvindo óperas alemãs e lendo Dostoievsky no original em russo”.
Alugueis de casas merdas, ficam uma grana, cerveja fica cara, td custa caro no carnaval... uma merda! Graças a DEUS q é feriado, p eu poder sair, tomar umas cervejinhas..... ISSU SE o transito não tivesse caótico.... e se não houvesse tantas blitz de lei seca( caça grana). Não sei da onde sai tanta policia, PQP!
DENTRE OUTROs, ( mts outros), vejam alguns dos motivos para tamanha aversão (todos não caberiam nessa página).

1) Mangueira
Odeio a Mangueira. Odeio os trocadilhos que fazem com a Mangueira. Odeio as cores da Mangueira (desde quando verde combina com rosa?). Odeio a forma como as pessoas falam da Mangueira. Simplesmente odeio! O pior é agüentar a ladainha mangueirense todo ano. O desfile empolga (estilo “atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu”) todo mundo e, no final das contas, a escola fica lá pelo 10º lugar. Hahahahahaha. Bem feito!

2) Transmissões do desfile
As transmissões dos desfiles são iguais todo ano. Os comentários são os mesmos. Ninguém vai mal, todo mundo põe a Sapucaí para dançar. Quem conhece a composição de um desfile, sabe que apenas 2% das pessoas que vão para a passarela do samba são mulheres sem roupas. E as TVs só mostram essas (depois o brasileiro não sabe porque o europeu e o norte-americano acham que nosso país é uma orgia infinita). Porém, nada é pior que a Leci Brandão pedindo a bênção para as velhas guardas.

3) Bateria nota 10
Todas, ou melhor, TODAS as escolas de samba têm uma "bateria nota 10". O mais engraçado é que, na hora de apurar os votos, várias "baterias notas 10" tiram 9 ou 8. Propaganda enganosa!

4) Noticiário
Parece que o cérebro do repórter (ou do editor que faz a pauta) foi pular carnaval e o resto do corpo tem de fazer a matéria. Porque são todas horríveis. As perguntas se limitam a “tem carnaval mais animado que esse?”, “a festa tem hora para acabar?”, “canta um trechinho do samba para a gente”, entre outras babaquices-mor. Mas fica pior. Mostram uns norte-americanos (quanto mais branquela a pele e havaianas as camisas melhor) desengonçados tentando entrar no ritmo do samba. Para concluir, os chavões regionais. Eles falam que na Bahia e em Pernambuco, “o carnaval ainda não acabou” (isso quando já estamos quase em maio). Como se fosse alguma novidade. Em São Paulo, falam que “paulista também sabe sambar”. E, no Rio, se referem ao “maior espetáculo da Terra”. Tudo mentira. Mentira como a da “bateria nota 10”.

5) Papo de carnavalesco
Muita teoria, muito blá-blá-blá. Tentam justificar relações loucas entre o enredo (qualquer que seja), o Jardim do Éden (todo enredo faz essa referência) e o Brasil de hoje (está na moda parecer que tem consciência social). É só dizer que pôs aquela ala ou aquele carro alegórico porque ficava bonito. Não precisa justificar. É como crítico de cinema que gostou de algum filme cabeça-oca e tenta dar explicações pseudo-intelectuais profundas para isso. Tem uma hora que nem você, nem o repórter que está fazendo a matéria e nem o próprio carnavalesco sabe mais do que está se falando.

6) Valéria Valenssa
Começa pela grafia esdrúxula do sobrenome dela. Passa pelo fato de a imagem dela vir sempre junto do termo “Globeleza” (argh!) e da musiquinha-tema da Globo para o Carnaval. Ainda tem as pinturas ridículas sobre o corpo dela, que também já encheu o saco. E termina com essa digitalização cretina que fizeram para esse ano. Quer dizer que a Mulata Globeleza é a Lara Croft brasileira?

7) Concurso de fantasias
Desde que a Rede Manchete virou história não se vê tanto esses concursos. O que é saudável, já que suspeito que a exposição prolongada ao concurso de fantasias do Hotel Glória (com Clóvis Bornay e tudo) pode deixar seqüelas nas pessoas.

8) Rede Manchete
A Manchete já não existe mais, porém, não dá para deixar passar em branco uma emissora de TV que fazia 24 horas de Carnaval. Tinha mesa redonda para discutir os desfiles da madrugada anterior. Como os norte-americanos dizem para os nerds: “get a life!”.

9) Camarotes
É a maior reunião de gente irrelevante do mundo. Um monte de “artistas” globais que não têm a mínima intimidade com as escolas de samba, com o desfile, com a música, com nada. Só está lá para aparecer na Caras e dar entrevistas falando que é a primeira vez no desfile do Rio, mas está gostando tanto que vai voltar no próximo ano.

10) Carnaval da Bahia
Qual a graça de ver carnaval da Bahia na TV? Tenho seriíssimas dúvidas se é legal estar lá, pagando o olho da cara por um abadá para ouvir música ruim de perto. Ver pela TV, então. Fico o ano todo fugindo do Tchan, da Ivete Sangalo e da Daniela Mercury no Faustão, não é nesses 5 dias que acharei válido fazer isso. E vocês não imaginam o quanto o encontro de trios elétricos na praça Castro Alves não significa rigorosamente nada para mim.

Para não acharem que sou chato demais, abaixo vão algumas coisas que gosto do Carnaval.

1) Apuração de votos em São Paulo
É a coisa mais engraçada dos 5 dias de carnaval. Primeiro que, antes da apuração, metade das escolas já perde alguns pontos por irregularidades. Daí, a Gaviões fica entre os primeiros. A cada nota baixa da escola do Bom Retiro toda aquela corintianada acusa o jurado de ser palmeirense (essa é clássica). Daí, os presidentes da Vai-Vai, da Gaviões (duas escolas de corintianos, mas se odeiam), da X-9, da Nenê e da Rosas de Ouro ficam revoltados com o resultado. Não importa quem ganhou, eles se revoltam. Fica o bafafá, gente ameaçando bater no presidente da Liga, aquelas coisas “lindjas”. E, melhor de tudo: independente de quem tenha melhores notas, só é conhecido o vencedor no SPTV, à noite. Nas horas que se seguem a apuração, escolas recuperam pontos, perdem mais pontos ou ganham pontos extras. Como no caso da Imperatriz, só mostra como é ridículo.

2) Trânsito no RIO
Tudo fica vazio. Se eu não consegui viajar por algum motivo (como nesse ano)( grana, mesmo), dá para aproveitar e fazer todos os programas cariocas que ficaram pendentes.
E só. Até me surpreendi por ter achado 2 coisas boas do Carnaval. Estou tolerante demais...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O que vem antes da enchente....




Esse final de ano mostrou centenas de quilômetros de congestionamento nas estradas em consequência do desabamento de barreiras e das interdições provocadas por inundações. Em Minas e no Rio Grande do Sul, pontes desabaram. Em São Paulo e provavelmente em muitas outras capitais da República, buracos de todos os tamanhos se abriram nas avenidas. E, para o que vou dizer, nem pus as calamidades que ocorreram em Angra dos Reis e São Luiz do Paraitinga, também, em grande parte, fruto da imprevidência humana. É o viajante que não chega a seu destino; é a matéria-prima e a autopeça que não cumprem o cronograma ; são bilhões de reais que se perdem na ineficiência e na impossibilidade de planejar a produção. Os estragos desse incio de ano estão sendo debitados apenas ao excesso de chuvas e às enchentes que a "natureza mandou" e não à irresponsabilidade com que se planeja, monta e mantém a infraestrutura deste País. Fora a mal educaçao da maioria da populaçao, brasileiro é porco e mal educado, infelismente. Joga lixo na rua, cospe, foda-se, nao esta nem ai. Cobrar é faciul, que tal rua enche qd chove, que tal estrada esta uam porcaria, que tal barreira caiu.... Se uma rodovia está vulnerável à queda de barreiras é porque foi construída sem atender às condições técnicas exigidas. Se a enchente está levando embora pontes de concreto é porque seus projetistas e construtores não levaram em conta todas as pressões físicas que passariam a enfrentar. O apagão de quatro horas no Centro-Sul ocorrido em novembro até agora não tem explicação aceitável( vai entender ?!). O único culpado não pode comparecer a um tribunal destinado a julgar os responsáveis: foi uma tempestade de raios na região de Itaberá, no interior de São Paulo, que atingiu a linha de transmissão da Chesf. Seja o que tenha mesmo acontecido, se uma linha de transmissão está tão exposta a estragos provocados por raios, então alguma especificação técnica não deve ter sido atendida nos projetos e na construção desses linhões. . Por Confins, que serve à região metropolitana de Belo Horizonte, passam atualmente 5,2 milhões de pessoas por ano quando não suporta mais do que 5 milhões. E, outra vez, se o asfalto das avenidas existentes nas grandes cidades brasileiras estoura com o calor e com as chuvas é porque as autoridades municipais se contentam com serviços de pavimentação inadequados, sem atentar para as condições de solo, clima e pressões que nossas ruas têm de aguentar. Os viadutos e pontes da cidade de São Paulo a todo instante estão sujeitos a paralisar o trânsito nas marginais (por onde se faz a ligação rodoviária entre o Norte e o Sul do País) porque foram mal construídos e não vêm tendo a manutenção necessária. Este é o momento em que o Brasil reúne condições para perder definitivamente o conhecido complexo de vira-latas de que falou Nelson Rodrigues e saltar para o futuro que a História lhe prepara. Mas, decididamente, tem de assumir seu destino e cuidar como adulto de sua infraestrutura.

AMEN (rs)